Nutrição de acordo com o nosso perfil genético. Parece estranho? A nutricionista Ana Cláudia Poletto explica!

nutrição

Como vocês sabem, adoro compartilhar aqui no blog novidades que favorecem nossa beleza, saúde e bem-estar. Não à toa, reservei o post de hoje para falar de uma tendência que promete mudar a nossa vida em um futuro próximo: a Genômica Nutricional, que investiga como o código genético de cada pessoa pode influenciar na relação do organismo com nutrientes e possíveis doenças. Parece estranho, né? Mas não é.

A querida nutricionista Ana Cláudia Poletto aceitou o meu convite para explicar para vocês como uma alimentação construída a partir da análise dos dados impressos em nossos genes pode ser usada para a manutenção da nossa saúde. Vale a pena conferir! 🙂

Claudia Coral: A Nutrigenética pode mesmo ser usada a serviço da beleza e da saúde? Isso já tem sido bastante explorado no Brasil?
Ana Cláudia Poletto:
Existem alguns genes que, ao serem analisados, nos trazem informações sobre o risco para uma menor capacidade antioxidante e destoxificante e para processos inflamatórios, o que, de certa forma, comprometeriam nossa saúde e beleza. Todavia, ainda devemos ser cautelosos, pois necessitamos de mais estudos.

Claudia: O que é Genômica Nutricional?
Ana:
Segundo a “Academy of Nutrition and Dietetics”, Genômica Nutricional é um termo que se refere à Nutrigenética, ou seja, ao estudo que investiga como a presença de variantes genéticos, chamados de polimorfismos de nucleotídeo único (em inglês, SNPs), pode influenciar na nossa resposta a determinados nutrientes, ou mesmo no risco de desenvolvermos doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes melito, doenças cardiovasculares, entre outras.

Dentro da Genômica Nutricional, nós temos também a Nutrigenômica – ciência que estuda como os nutrientes interferem na regulação dos nossos genes – e a Epigenômica Nutricional – ciência que analisa a influência do ambiente/alimentação na expressão dos nossos genes.  

Claudia: O que é possível fazer hoje em dia a partir da análise dos nossos genes?
Ana:
Eu costumo dizer que com esses testes conseguimos conhecer uma pequena parcela do nosso DNA. Eles nos trazem informações sobre o risco genético de desenvolvermos algumas doenças crônicas não transmissíveis, nossa susceptibilidade a ter alguma deficiência nutricional, o risco de termos doença celíaca (enfermidade autoimune do intestino delgado causada pela intolerância ao glúten) ou intolerância a lactose, entre outros problemas.

Claudia: É possível utilizar a nutrigenética na área da nutrição? De que maneira isso pode ser feito?
Ana:
Sim, porém, existe um longo caminho de pesquisas e possíveis descobertas pela frente. É muito importante que tenhamos mais publicações científicas, especialmente as que investiguem esses polimorfismos de nucleotídeo único (SNP) na população brasileira. Além disso, é necessário que o nutricionista esteja apto para a análise, ele precisa ter um conhecimento aprofundado em Genômica Nutricional.  

Claudia: Você utiliza a nutrigenética para determinar a melhor dieta para seus pacientes, não é? Como tem sido esse processo e os resultados?
Ana:
Eu uso a Genômica Nutricional e não apenas a Nutrigenética. Quando conseguimos entender a relação entre genes e nutrientes, conseguimos personalizar e melhorar a dieta de nossos pacientes.

Claudia: A maioria das pessoas atendidas por você já tem um conhecimento sobre a influência da genética sobre a beleza e a saúde, ou o assunto é relativamente novo para elas?
Ana:
São poucos os pacientes que têm informações aprofundadas, porém, quando começamos a discutir sobre o assunto, percebo muito interesse.

Claudia: Há algum aspecto negativo relacionado ao uso da nutrigenética neste sentido ou são só benefícios?
Ana:
Considerando que ainda temos um longo caminho a percorrer na ciência, acho que, futuramente, serão apenas benefícios. Como dito anteriormente, dependemos de mais estudos realizados, especialmente na nossa população. Além disso, cabe ressaltar que a análise dos genes nunca deve ser realizada de forma isolada. Esses exames são apenas uma ferramenta a mais para utilizarmos na prática clínica, juntamente com os dados coletados na consulta e a análise dos exames bioquímicos. Precisamos ser criteriosos e entender que isso não é tão simples e que a maioria das doenças não envolve a participação de apenas um único gene, mas, sim, de um grande montante deles!

Image Map
1519
Views

Comentários